sábado, 31 de janeiro de 2009

"Sobrevivido"

Momentos dificeis, justo quando comecava a achar que tudo estava perfeitamente bem, na medida do possivel. O corpo se habituou ao ritmo puxado do trabalho, a mente se ajustou a sintonia do lugar, ate a relacao com as pessoas melhorou muito, finalmente parecemos falar a mesma lingua. Passada a metade do caminho chego a sentir o gostinho de estar em casa novamente, um dos meus maiores incentivos, obviamente adicionado ao sabor da vitoria de alcancar minha meta terminando esta jornada.
A pessoa com melhor me dava, meu anjinho pirado, vai embora em 2 dias. Fico ja com saudades, mas tambem muito orgulhoso. Ontem revimos alguns dos nossos momentos fotografados e me bateu um certo alivio, afinal tambem tive momentos incriveis por aqui.
Passei por muita dor, me senti fraco, ridiculo, completamente desamparado, me vi humano como ha muito tempo nao me via. Dias passaram e estou mais fortalecido, encaros os desafios com um Hercules, e depois de matar os leos que tenho que matar, acendo meu cigarro, fecho os olhos e sorrio, menos um desafio, mais uma vitoria.
O tempo aqui passa diferente, voce encontra pessoas que passam por voce por passar, outras que caminham lado-a-lado, e tambem aqueles que querem passar por cima de voce.
E por aqui as dificuldades sao tao intensas quanto os bons momentos, aproveitados ao maximo, como minha ultima ida ao Mexico (thanks Mabeli, Camila e Richard).
Para finalizar, depois que isso tudo acabar quero minha vida de volta, mas o que gostinho de quem viu o inferno e o paraiso bem de pertinho.
Ah, eu exagero mesmo, e ponto.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Romanticos

Escuto Coldplay "mela cueca" e reviso meus amores num dia calado que parece 1 mes. Ja tive incontaveis amantes, que me fizeram sentir lindo e sedutor por 1 noite, as vezes asqueroso tambem, mas tambem amores que se tornaram "quaisquer" em 1 semana, e aqueles poucos que me marcaram de verdade, inclusive na pele.
Minha natureza sempre repeliu os amores, sou um aventureiro apressado, desconfiado e louco por prazeres imediatos e intensos, muito ansioso para esperar pelo simples prazer de um afago caloroso e familiar de um companheiro, acabo ficando somente com o "mis en scene" (perdao pelo frances talvez equivocado) de estranhos, seguido do inevitavel e estranhamente familiar vazio.
Os amantes imediatos me "alimentavam" como sanduiche apressado encostado em balcao de lanchonete, sinto falta do "sentar a mesa", sentir todos os aromas, tentar adivinhar os ingredientes de cada comida, aceitar ou nao os temperos que nao me apetecem, ser surpreendido, acrescentar meus sabores, sentir o soninho gostoso chegando, rir sozinho dos meus exageros, e repetir o quanto quiser, sem culpa.
Assumo meu brega, afinal nao sou tao descolado assim, me pego imaginando as oportunidades que perdi, mas tambem fantasio que "o melhor esta por vir", assim como temo estupidamente ja ser tarde demais para mim.
Aos 28 anos me acostumei a ficar sozinho, mas logico que fica sempre faltando algo, fico imaginando um rosto, um corpo, o abraco, o calor, fantasiando que alguem esta reservado para mim, por enquanto fervendo por ai, ou quem sabe, nos momentos calados como este, tentando imaginar um rosto, o abraco e o calor, que sao bem parecidos com o meu.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

ChristMAX

Chega o Natal, o mais diferente da minha vida, e tambem quase metade do meu contrato. Comecamos em janeiro com os cruzeiros curtinhos, melhores pra fazer dinheiro e tambem pra correr o tempo. Pelo que me disseram agora o tempo voa, mas depois desacelera quando faltam semanas pra voltar pra casa, mas quem esta contando, certo?

Minha tecnica de sobrevivencia e viver 1 dia de cada vez, aproveitando ao maximo o meu tempo livre, me divertir sempre que possivel, e malhar bastante pra voltar para o Brasil gostosissimo, logico!

O Natal la em casa vai ser diferente tambem, sem o meu humor caracteristico, mas com a presenca do Diego, meu sobrinho novissimo no pedaco.

Meu presente chega em janeiro, diretamente de Cozumel, minha primeira surpresa para quando voltar para casa.

Hoje o trabalho deixa de ser tao penoso, a depre nao e mais tao valorizada, isso porque sei que e passageira, e os novos amigos estao cada vez mais proximos, uma galerinha que eu nunca mais vou esquecer, e sem eles as coisas seriam muito mais dificeis.

E fico por aqui, desejando uma festa de muitas alegrias a todos. Apreciem suas familias e bons amigos, sem moderacao.

Saudades...

2 meses no mar, estresses de trabalho acalmados, 4 kg ganhos (e ja sendo perdidos), passagens por quinhentos lugares diferentes e alucinantes, ja careca de conhecer o navio e seus procedimentos, e entediado.
A rotina chega em qualquer lugar, mesmo na vida cigana, e comeco a buscar no meu dia-a-dia coisas para preencher meu tempo. Priorizo as uteis, construtivas, mas nao descarto as mais simples, como boas e longas horas de sono.
No momento me bate certa carencia mesmo, falta de companhia no final do dia puxado, ou no decorrer do longo dia de PN pra fazer. A ultima coisa que pensei em fazer aqui foi arranjar "sarna pra me cocar", mas vou dizer honestamente que sinto uma falta enorme de assistir filme abracadinho.
A ultima vez que tive isso foi dias antes da minha primeira postagem (la pra baixo), e no final das contas acabou como na maioria das vezes, muito mal.
Tenho a impressao de que quando voltar pra casa vou me casar e passar a escrever mensagens sobre como encontrar sua "alma gemea". Ok, ainda nao foi dessa vez que o navio me enlouqueceu, nao a esse ponto! Brincadeiras a parte, quando nossas "valvulas de escape" sao limitadas nos deparamos com o que realmente temos, nos mesmos, e e um lugar bastante solitario. Sinto falta de colocar minha alma na arte, sinto falta de conversas inspiradas, olhos-nos-olhos, grudadinhos...
E, realmente estou mudando, e muito mais rapido do que imaginava.
PS. Fecho os olhos todos os dias por alguns instantes e me imagino indo pra casa, e como isso e inspirador!

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Nao abandonado nem abandonando

2H15 da matina, direto no compu depois de 2h na academia, relaxado, chegando mais uma vez amanha em Puerto Rico, doido pra que acabe logo esse cruzeiro e os proximos de dezembro, a partir de janeiro somente cruzeiros curtos, bem melhor e com mais tempo para descansar.
Passei por uns momentos dificeis por aqui, quase entreguei os pontos, cheguei a me visualizar voltando pra casa, passando o Natal com familia, reencontrando meus amigos, mas sabia que pagaria um preco por sair daqui antes do meu tempo, e "jogadas na cara" nao faltariam. Nada que eu nao pudesse superar, mas ja que cheguei aqui, vou ate o final, nao e nem questao de honra nem nada, e mais um comprometimento pessoal, uma meta.
Nao sabia exatamente como lidar com os problemas que tive, simplesmente problemas com gente tentando pisar em mim e se aproveitando da minha inexperiencia nisso aqui pra me fazer sentir uma merda. No Brasil eu saberia como fazer pra me sentir melhor, simplesmente armaria um berreiro, descia o morro inteeeiro, ia afundar esse navio! Aqui as coisas "estao" um pouco diferentes, e faz parte da minha experiencia nao agir obviamente, avaliar melhor minhas acoes e reacoes.
Com paciencia eu consegui virar o jogo, e me sinto hoje super orgulhoso de mim mesmo! Eu fui engolindo todos os sapos, tava me sentindo pessimo, ia trabalhar todo dia por quase uma semana me sentindo o pior dos seres, super na merda. Ok, esperei, orei (believe me) e me entregaram de bandeja o que eu precisava. Nao quero detalhar aqui pra nao ter problemas, mas basicamente a arma que eu precisava pra me defender veio sozinha a minha mao, e eu fiz o uso corretissimo, inclusive na hora certa... O mais importante, ainda to conduzindo isso, to tao orgulhoso que meu ego deu aquela inflada, mas to ciente e segurando as pontas, me esforcando ainda mais, me preservando e AGORA SIM, voltando a me divertir por aqui.
Ja passei o servico completo para os amigos e pra familia, e como estou feliz comigo mesmo agora, isso aqui esta valendo a pena sim, e nada de abandonar o navio. Oscar Oscar Oscar, NOT!

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Happy birthday Max

Primeiro aniversario longe de casa em 28 anos, talvez o primeiro de alguns, quem sabe de muitos, dificil decidir isso agora. E obvio que para quem me conhece ou le o que escrevo sou o tipico sagitariano espontaneo e aventureiro, mas ao mesmo tempo sistematico e calculista, e como e dificil administrar minha metade homem, metade animal, ainda mais num momento em que decidi dar uma guinada na minha vida!
Sei que parece repetitivo (as usual), mas como a gente sente falta das pequenas coisas, mesma aquelas que ja cansamos de reclamar. Foi triste ligar pra casa hoje e falar com a minha avo, sentir a preocupacao na voz dela, ouvir que tem saudades de mim. Nesses momentos eu penso se devo me acostumar a isso ou simplesmente "correr o tempo" para voltar ao "conforto" da minha antiga vida. Ca estou eu sendo sistematico de novo, mas nao tem como evitar. Imagino que o "mais adequado" seria mais um meio-termo, simplesmente transformar isso, fazer realmente valer a pena toda essa distancia chata, e deixar um pouco de lado minhas referencias, correr o risco de me deparar com uma "agradavel surpresa" la na frente.
Estou me acostumando a vida aqui, mas nao exatamente me sinto parte desse lugar. Quem ve minhas fotos de viagens engana-se em enxergar glamur, a realidade e bem diferente. Aqui voce faz business serio, segue regras rigidas e se entrega totalmente aos momentos de liberdade fora do navio, pelo menos e assim para mim.
Teve um dias desses que me vi planejando nao sair em uma ilha do Caribe (que visito a cada 10 dias) para aproveitar para dormir, fazer minha laundy e malhar. Agora ja foi, perdi minha visao do "lado de fora", enxergo minha vida aqui exatamente como ela e. As vezes me pego rindo dos absurdos, do tipo me ver num grupo com 7 nacionalidade diferentes. O mais engracado e pegar elevador aqui, cada um falando sua lingua, uma verdadeira "feira de peixe" multinacional.
Oops, me perdi no raciocionio, mas estou ouvindo agora uma versao da Natasha Bedingfield de "Ray of Light" da Madonna... E amo a sensacao que a musica me passa. And Happy Birthday for me!!
I'll be right back bitches!!

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Aprendendo a domar cobras

Depois de uma troca de inspirados depoimentos orkuticos com minha amiga DQ fiquei pensando nos basicos 2 tipos de pessoas que existem no mundo: os possuidores de "luz propria" e os que necessitam da "luz alheia" para sobreviver.

Retifico que nao quero AT ALL entrar no campo de religiao, auto-ajuda ou fisica, talvez um pouco de cada coisa, mas defendendo basicamente o meu ponto-de-vista, baseado na minha percepcao dos fatos, e como isso aqui ficou muito tecnico!

No meu antigo mundinho eu ja tinha superado pelo menos as minhas insegurancas basicas. Vamos colocar assim, ao menos eu sabia que tipo de merda eu era, e que existem diferentes tipos de cores, texturas e cheiros. E VIVA aos bons exemplos que realmente fixam na nossa cabeca!

Nesse novo mundinho pelo qual transito atualmente minhas antigas insegurancas vem a tona, e me sinto meio "like a virgen" em alguns momentos, e pelo menos foi assim no comeco.

Quando voce ingressa num business como esse tem a impressao de que vai encontrar pessoas com o seu perfil, espiritos livres, gente que fugiu do considerado "mundo real" para seguir o seu proprio rumo, dentro das suas proprias regras. Ok, deixando de lado a poesia de propaganda de cigarros, TUDO BESTEIRA, os babacas tambem estao aqui, aos montes!

Se voce e novo, jovem, bonito e talentoso torna-se um alvo facil para os parasitas, e ja vivi isso inumeras vezes na minha vida. Existem aqueles que "gentilmente" pegam emprestada a sua "luz", o que considero uma relacao saudavel, outros tentam desesperadamente rouba-la de voce, mas acabam como copias baratas, risiveis, de dar pena (e nem estou sendo cruel, believe me). Os mais perigosos sao aqueles que se incomodam com o seu talento, mas sao cientes das suas proprias limitacoes, e tentam a qualquer custo TE FUDER, no portugues claro e cristalino.

Eu cheguei aqui timido e receptivo, coracao aberto e preparado para as regras de exercito e pressoes do trabalho, e olha que tirei tudo isso de letra! So nao contava com um covil de cobras... Please, tambem encontrei gente OTIMA, que em menos de 1 mes ja se tornaram amigos de uma vida inteira, incrivel!

Fiquei sinceramente impressionado com a cultura mesquinha e primitiva que reina por aqui. O povinho que trabalha comigo faz a mesmissima coisa ha 2, 3, 6 anos, e alguns se acham o maximo por isso, e fazem questao de revirar os olhinhos ou rirem da gente quando cometemos algum erro.

Mamae me mata, mas nao vou fazer o joguinho de ser amiguinho de cobra nao. Nao consegui ser assim ate os 30, entao larquei de mao. Refinei minha tecnica, transmito a mensagem sutilmente, na subliminar, e adoro ver a carinha dos coitados querendo me matar, acho uma delicia!

Para sobreviver aqui sem perder a personalidade e nao virar comida de tubarao tenho que me manter longe dos coitados, engolir sapos, processa-los e depois arrotar bolhinhas de sabao na cara deles, e ser feliz com o que e com quem vale a pena. Alem de ganhar meu dindin, viajar pra caralho e beber muita Marguerita, Pina Colada e afins em aguas caribenhas... Porque eu posso!

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Mais causos de um marinheiro de sangue quente

Andei escrevendo umas coisas por ai, geralmente no papel mesmo, para depois entao passar para o compu. Pensei e resolvi nao postar nada daquilo, tava parecendo dramalhao mexicano com pitadas de uma auto-ajuda meio negativa e cinica, misturado com Virginia Wolf mais pitadas freudianas de diva furado. Isso aqui nao nos permite muita psicologia ou literatura, basicamente e business, praticidade, e um bando de gente querendo passar por cima da sua cabeca ou desesperada para se afirmar de alguma forma.

Eu tenho que tomar cuidado pra nao julgar as pessoas pelas suas acoes e reacoes, ate porque e preciso levar-se em consideracao a questao cultural, fora o "estrago"que esse tipo de vida acaba fazendo na cabeca de algumas pessoas, geralmente as de personalidade fraca ou sem personalidade. Minha familia me advertiu antes mesmo que eu saisse do Brasil a controlar meu genio, isso porque sabem como me comporto em relacao a injusticas e a gente babaca tentando pisar em mim, basicamente... NAO ADMITO! E algo organico, me faz bem e ponto. No comecinho aqui fiquei de cabeca baixa e engoli os sapos pensando que fazia parte da experiencia, e olha que engoli VARIOS sapos-boi! Passado algum tempo tenho compreendido melhor a sintonia por aqui, e detectei falta de respeito e povinho mediocre de merda querendo dar uma de boss pra cima de moi, ai o sangue ferveu e o bicho deu uma pegada de leve.
Vontade de avancar nao me faltou, mas simplesmente assumi uma postura mais profissional, como nunca antes, alem da lei de "gritou comigo, gritei contigo". Obviamente me esforco ao maximo aqui pra nao perder a razao, mas ontem mesmo tava ajudando uma colega e levei um "move on" aos berros... Quase saltei do elevador pra jogar ela no mar, mas me resumi a segurar a porta do elevador que estava fechando e dizer em alto e bom som "take it easy honey, I'm not your husband or even your friend!"
O negocio aqui e brabeira em alguns aspectos, ate porque voce tem um supervisor que so pensa na grana pra entrar e uma cia excelente, mas que preza pela sua saude fisica, seguranca e seu direito a nao virar carne para piranhas famintas (rigorosas regras contra harassment), mas no final das contas os pormenores sao por sua conta, aqui nao tem crianca, entrou nessa tem que segurar a onda, ou entao desistir. Os brasileiros tem a fama de desistir facil, isso porque nao estao acostumados com o ritmo pesadissimo do trabalho e tambem, geralmente, nao tem a mesma necessidade de outras culturas, como a de sustentar familia back home.
Eu tenho momentos excelentes, mas tambem ja me senti intimidado e assustado, ja me senti um merda, mas nunca me arrependi de ter vindo, de jeito nenhum! Tive a sorte de ter um irmaozao de cabinmate, de encontrar pessoas queridas que hoje sao minhas amigas, e o azar de me deparar com uma equipe de trabalho negativa, com componentes que vao de uma vadia escandalosa que acha que todo homem tem medo dela (tadinha, comigo morreu de fome...), tem uma robo desequilibrada, uma altamente risonha (nao confio em gente que ri toda hora)... Enfim, to bem na fita pra caralho! Rs
Superando minhas dificuldades, me conhecendo melhor, seguindo as regras e administrando minha nova vida da melhor maneira possivel vou levando, aproveitando o tempo que passa muito rapido, e morrendo de saudades dos meus queridos do Brasil.
Vou ficando por aqui, na promessa pessoal de nao virar a cabeca por aqui, mas JAMAIS perdendo meu maior trunfo, ser exatamente quem eu sou.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

No meio de algum lugar em lugar nenhum

Passaram-se 20 dias desde que deixei o Brasil, e fui deixando algum tempo passar antes de escrever alguma coisa, justamente pra evitar uma verborragia insana e dramatica (well, more than the usual... ) de alguem tentando administrar algumas crises num momento de grandes mudancas. Hoje me sinto sereno, passado o medo e a pressa de que tudo acabasse logo para que eu voltasse a minha antiga vida.
Esses dias andei pensando em como e estupido, e perfeitamente humano, querer voltar ao ponto de partida. Quando tudo se mostra tao diferente nossa vontade e fugir e voltar para o nosso lugarzinho "confortavel", para o aconchego dos nossos velhos habitos. E como emprego novo, mesmo quando voce odiava o antigo, quando comeca o novo fica pensando por alguns momentos em como ja estava acostumado com a rotina do antigo.
Estou quebrando um ciclo de anos, assumindo os riscos das MINHAS decisoes, sendo realmente gente grande e dono do meu nariz, como sempre quis. Parece otimo, so nao tinham me avisado que esse percurso e bastante solitario.
Nao vou dramatizar, ate porque nao me sinto assim, mas e impossivel nao pensar que o mar, atualmente meu lar, e uma grande metafora pra tudo isso.
Sinto imensa saudade do Brasil, dos meus papos de mesas de bar e as noitadas com meus grandes e deliciosos amigos, das brigas em casa, da comidinha da vovo, dos papos com minha mae e grande amiga, mas comeco a me acostumar a uma vida tambem cheia de privilegios, o emprego dos sonhos de muita gente. Isso aqui e meio ilha de Lost, voce esta literalmente fora de sintonia com mundo, mas ao mesmo tempo o mundo inteiro esta aqui. Voce perde algumas coisas do mundo "real", mas adiciona outros improvaveis para um vida "normal".
Fico feliz em perceber que os motivos de comecar a escrever aqui, minhas trapalhadas amorosas e dificuldades em me encaixar no mundo tornaram-se pequenos e distantes. Aqui, ou voce rema ou afunda, nao existe meio-termo. Excessiva disciplina, mas absoluta liberdade.
Bom, melhor do eu esperava, mas mais dificil tambem... E quem foi que disse que eu queria diferente?

20 dias atras

Sentado numa poltrona apertada de um voo da American Airlines, ao lado de um professor universitario de quase 2m de altura (sim, ele puxou assunto, mas logo cortei, nao era meu mood), vou repassando sem maiores comprometimentos os ultimos eventos que me permitiram chegar a essa viagem. Tudo aconteceu tao rapido que estranho minha frieza, a dificuldade pra "deixar a ficha cair". Me sinto simplesmente seguro, sem maiores medos ou coisas do genero. Tenho certeza que nao e um prenuncio da minha habitual arrogancia, e estranho constatar que estou pronto para isso, e so. Logico que preparei tudo minuciosamente, repassei passos e pesquisei. Enfim, o Polaramine que tomei pra dormir bateu, entao ate mais.
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Ja passei pela fria e nada amistosa recepcao da alfandega americana, testemunhei um rapaz mexicano sendo "gentilmente" deportado, dei meu pulinho no Starbucks, giros em free shops e agora to sentadinho esperando o voo da conexao. By the way, estou em Miami indo pra Baltimore.
Gostoso ligar pra casa e falar com minha avo. Antes de viajar dei uma fuxicada no orkut do irmao de um amigo meu. Tinha uma foto dele de frente pra uma praia lindissima, nao sei aonde, mas com a legenda "Solidao e Liberdade". Acho que essa minha jornada tem um pouco disso ai, conhecer mais de mim mesmo sem todo o "staff" que sempre me rodeou.
Sim, eu desci do aviao pensando "Caraca, sera que e isso mesmo?"
Amanha conheco minha nova casa pelos proximos 6 meses, longe dos meus irmaos, mommy, grandma e amigos, e tudo que e familiar pra mim.
Ao mesmo tempo em que toda minha "bagagem" e o que me ajudara a sobreviver por aqui, tive que zerar tudo, vir pra ca sem rotulos, sem conhecidos, sem familiares.
Dando um tempo no drama, to adorando. Estou pisando num degrau que era pra ser meu faz tempo, agora chegou a hora.
ps. Maldito teclado americano!!

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Max and the Sea

Real demais pra sonhar. Imediatamente me veio essa frase na cabeça quando sentei para escrever. Um sagitariano típico temperado com veia artística, meio cartoon querendo ser filme noir. Confesso que tenho um talento inato em escrever e descrever a vida, transformando um singelo café-da-manhã “pão com ovo” num refinado brunch. Pessoas como eu são vistas como sonhadoras, dramáticas, solitárias nos seus mundinhos grandiosos, rodeados não de muros, mas de pesadas cortinas de teatros.

Assumi muitos dos meus lados, o obsessivo, o controlador, o narcisista, além disso, finjo não ser tão adorável, tenho freqüente repulsa de ser sentimental, hora penso que sou um frio e cínico megalomaníaco, hora que sou simplesmente um garotinho carente e patético tentando se encaixar.

Dramas a parte (porque a vida seria muito “sem sal” para alguém como eu) tenho uma coleção de momentos frustrantes, quando achei que daria um grande salto em direção a algum lugar, mesmo que não fosse o ideal, mas pelo menos diferente, dei foi com a cara em algumas paredes.

Passada minha contemplação pós-trauma, vivenciada com minhas melhores e mais dramáticas lágrimas e frases de efeito entoadas com minha voz de ator shakesperiano (uau, eu merecia um Oscar!), caí de novo na rotina, tentando fazer dos meus tombos números de pastelão, meus romances frustrados em dramas épicos e minhas fugas noturnas em aventuras do underground, algo meio Spin City.

Escrever esse blog foi meio que revelador pra mim. Sempre fui de escrever e depois rasgar tudo, nunca achei que seria bom o suficiente, ou então fiquei com medo de desvelar uma faceta cuidadosamente mantida no mistério, bullshit!

Foda-se! Ninguém leva tão a sério assim. Algumas pessoas riem, outros se identificam ou me criticam, e inesperadamente ACHO DIVINO! Outro dia uma amiga me disse que ela e mais outro amigo adoravam rir dos meus textos (sim sim, você mesma baixinha), por um segundo eu pensei “mas será que era pra rir?”.

Sim sim, novamente, esse foi exatamente o espírito da coisa! A vida é tão cheia de possibilidades, mas ao mesmo tempo TÃO limitada que eu tenho achado muito digno rir bastante, e me permitir.

Minhas experiências tão frustrantes me prepararam para o dia de HOJE, tornaram possível eu dar esse pulinho que estou dando. Meus trabalhos odiosos sem querer abriram as portas pra uma nova experiência, minha relação de amor e ódio com minha família me preparou pra encarar novas dificuldades dando o tom certo, dramatizando só pra dar uma “moldura” (I’m sorry, não abro mão disso...), mas sendo totalmente dispensável se eu quiser.

Nunca vou fugir da minha fantasia, sempre associarei um lindo pôr-do-sol a um belíssimo modelo de “sunglasses” e taças de vinho (ou um Fruit de La Pasion geladíssimo!) numa praia belíssima, mas vou soltar muito “puta que pariu” reclamando da queimadura de sol.

Estar pronto pra viver? Isso não existe, é um mito. Saber viver sua natureza é que é bom demais. Eu vivo com os pés no chão, mas sou um sagitariano chato pra cacete, performático, de nome chique e pés chatos.

Cansado desses palcos me lanço numa aventura muito verdadeira em qualquer lugar. Autoconhecimento ou trabalho escravo? Os dois juntos, pode ser? Sem querer abraço uma nova oportunidade na minha vida, deixando pra trás meus antigos enredos e escrevendo como faço nesse blog, de qualquer jeito, sem afinação, ou limites (inclusive para o tamanhão dos textos).

Sorry, não sou Clarisse nem Jabor, sou Max, me tornando “Minimum” num mundão grandão.

Vou tentando escrever por aí, primeiro no papel (não vai ter mais aquela classe de Carrie Bradshaw nem as correções do Windows, mas vai ter toda uma dramaticidade que é a minha cara!), depois passo tudo pra cá, prometo!

Ah, ainda sem data, mas até o final do ano, hope so!

domingo, 31 de agosto de 2008

IMAGENS

Divas que não existem mais em tempos de mulheres frutas...


















terça-feira, 26 de agosto de 2008

Várias coisas...


Vários dias sem postar nada... Nem foi falta de inspiração, ou preguiça, eu andei foi constrangido de escrever certas coisas. Quem convive comigo pode nem acreditar, mas eu detesto exposição, então tenho que exercitar muito minha escrita pra me abrir por aqui sem maiores intimidades, mas mandando minha mensagem. Vai entender...

Eu tenho mania de fazer um balancete do meu ano quando me bate alguma deprê, os "altos" de 2008! Bom, eu parei de fumar depois de 10 anos na fumacinha, tô em excelente forma física, saí do emprego nojento... Hummm, acho que foi isso. Não sou de curtir muito derrotismo não, até porque já sobrevivi a alguns "Tsunamis" nessa vida, convivo com pessoas dificílimas, e já tive inúmeras provas de fé na minha vida, até o dia em que a perdI por aí. Não completamente, mas digo que perdi.

Me sinto provilegiado, depois de muito tempo me achando um merda, por ter tantos talentos. Sou um cara de atitude e personalidade, além disso ainda tenho um sex appeal do caralho, e acompanhado de inteligência! Arrogância minha, você acha? Foda-se, me vejo no espelho a mais tempo do que qualquer um, so...

Odeio olhar pra trás e ver que joguei muito do meu potencial no lixo. Não chego a me culpar, foram circuntâncias da vida, em alguns momentos, inclusive, da vida que EU escolhi. Odeio ter evoluído no invisível, queria muito que meu sucesso fosse palpável.

A vida me testou em tantos momentos, mas em tantos, que depois de tanta cabeçada na parede deixei meu maior sonho de lado, larguei tudo! Minha familia tanto me ajudou como me afundou, mas não foi culpa de ninguém, e culpa de todo mundo, inclusive minha. Venho me adaptando a um caminho alternativo, algo maduro, produtivo, rentável no mercado, mas partir do (quase) zero é tão dificil...

As coisas ficam ainda mais dificeis quando cobramos tanto de nós mesmos. Eu sou um verdadeiro soldado quando quero algo, sou determinado e tenho as armas certas, mas a vida sempre encontrou algum tipo de "Kryptonita" pra me balançar as pernas, ou fazer doer os joelhos...

É, estou amargo sim, e decepcionado. Detesto contemplação passada dos limites, já estou arregaçando as mangas, mais uma vez, lutando contra a vida e contra mim mesmo. Mas agorinha mesmo tô vazio.

Alguns momentos me olho no espelho e vejo um rapaz esperto, cheio de vida, iluminado, ultimamente tenho me deparado com um velho, e isso me incomoda muito.

Enfim, deprês a parte, vale lutar para não deixar esses sentimentos se repetirem daqui a, sei lá, dez anos.

Seria devastador pra mim...

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Fui eu quem bebeu e comeu a Madonna

Numa fase meio like a virgen você apareceu para mim, dançando com cruzes em chamas, ou vestida de noiva sexy, fiquei curioso e fascinado com aquela bad girl, fui chegando perto meio tímido, sem saber o que falar, desajeitado, até que você gritou "are you ready?" e não tive dúvidas, bye bye baby, deixei para trás meus tempos de cry baby e embarquei contigo para uma isla bonita, afinal, pensei, I deserve it!

Me despedi rapidamente da minha antiga vida, "If you forget me... In this life... Live to tell... Cause I'll remember".

No inicio fiquei meio perdido, embora totalmente entregue àquela sensação de freedom, mas antes de embarcar totalmente naquela viagem drowned the world, completamente crazy for you, olhei para o céu (porque sky fits heaven), e like a prayer disse com os olhos fechados "oh father!"

Agora estava pronto para dance 2night! Não queria saber do easy ride, não tinha medo da sua companhia, até porque, camaleonica que é, mesmo devil wouldn't recognize you!

Pronto para minha jornada me despi de todo meu passado, agora só me interessavam future lovers, e se alguém tentasse me contrariar eu diria "don't tell me!" antes que terminasse a frase. Agora não tinha mais jeito, deixei de ser frozen, passei a ser fever, levei a sério quando você gritou enérgica comigo num momento em que eu estava inseguro "express yourself!" E me expressei!

Óbvio que cometi meus deslizes nessa jornada, human nature, me vi em alguns momentos agarrado ao telefone waiting por aquela ligação, I know it... I'm so stupid... mas foi só você me dizer "hey you" para que eu despertasse... Envergonhado, mas a tempo de hung up. Mesmo assim você me perdoou e disse "nobody is perfect", e eu respondi choroso "sorry".

Assim fui aprendendo a aproveitar a vida, dizendo todos os dias para o espelho "I'm very beautiful, Incredible." Mas nunca esquecendo a minha beast within, uma espécie de beautiful stranger! Não há como negar, tive que dizer goodbye to innocence, realizar que teria que deixar para trás os tempos de holiday, mas tudo bem, você sempre estará lá para me ajudar! Afinal, você sabe como ninguém how it feels like for a girl... ou um rapaz!

Bom, chega de melodrama, daqui a pouco vai ser uma rain de lágrimas... Eu sou um survival, uma lucky star, mas tô olhando pra frente, mesmo que às vezes dê uma espiadinha pra trás, só pra dizer "this used to be my playground..."

Mas foram tantas words pra dizer o que você me fez entender wild dancing... Mas você faz isso comigo, me deixa tonto.

Quer fazer a mesma viagem? Posso te ensinar o caminho, se me prometer manter o secret! Quando você menos esperar, num simple day, vou estar do seu lado como guia, my boy.

Só não reclame depois, não há volta. E quando você não estiver entendendo nada, mas encantado com tudo e me perguntar "who's that girl?", te responderei "nothing really matters!"

Você está pronto... para jump?

domingo, 17 de agosto de 2008

Frases que não escrevi

Sem maiores delongas, algumas das frases que eu adoro lembrar.

"Fátima você é uma cachorra! Mas eu eu eu... Eu gosto de cachorro! A Brigitte Bardot não gosta de foca? Então, eu gosto de cachorro!"

"O que que o Marco Aurélio tá fazendo aqui? Eu tô louca ou eu entrei numa maquina do tempo? Ô Marco Aurelio, a gente ainda tá casado? Que ano é hoje?"

Helena Roitman - Vale Tudo


"Life is a Bitch... Now so so am I!"

"I am Catwoman, hear me roar!"

"You poor guys. Always confusing your pistols with your privates."

Catwoman: "You're the second man who killed me this week, but I've got seven lives left."

Batman: "I tried to save you."

Catwoman: "Seems like every woman you try to save ends up dead... or deeply resentful. Maybe you should retire."

Selina Kyle: "It's the so-called "normal" guys who always let you down. Sickos never scare me. Least they're committed."

Batman Returns


"Tenho que continuar respirando porque amanhã o sol nascerá. Quem sabe o que a maré poderá trazer?"

Tom Hanks - Náufrago


"A diferença do amor e o ódio é que por ódio você mata... por amor você morre!"

Saída de Mestre


"O homem é tão atroz quanto criativo."

Uma Mente Brilhante


"Na vida há tempo para se arriscar e tempo para se ser cauteloso, e um homem sensato sabe qual é a altura certa para cada uma destas coisas."

A Sociedade dos Poetas Mortos


"Tudo é uma versão de outra coisa."

"Mentir é a melhor coisa que uma mulher pode fazer sem tirar a roupa, mas fica melhor se ela tirar!"

Closer


"Só melhoramos se jogarmos com alguém melhor do que nós."

Match Point



"No jogo da sedução só existe uma regra: nunca se apaixone."

Segundas Intenções


"E a fera fitou a face da beleza. E a beleza acalmou a fera. E a partir desse dia a fera perdeu a imortalidade."

King Kong


"O maior truque do Diabo foi dizer ao homem que ele não existia."

Fim dos Dias


"Trabalhamos em empregos que odiamos para comprar porcarias de que não precisamos."

Clube da Luta


"Façam um ótimo café da manhã, pois esta noite jantaremos no inferno!"

300


"Olhe para nós: Eu congelado, você morta e mesmo assim ainda te amo."

"Nos encontramos em outra vida, quando virmos como gatos."

Vanilla Sky